quarta-feira, julho 02, 2008

das greves

o transporte coletivo de florianópolis entrou em greve hoje. a possibilidade de que isso acontecesse apareceu há mais ou menos um mês, quando os funcionários apresentaram algumas reivindicações. mas tudo havia se resolvido - aparentemente - com um acordo.

o tempo passou e, ó a surpresa! os patrões não quiseram assinar os documentos que fariam vigorar os reajustes acertados porque a prefeitura, que disse que daria o dinheiro para esses reajustes [com a intenção de que o valor das passagens não subisse], não tomou nenhuma iniciativa até agora. aí o pessoal dos busões resolveu apelar e parar tudo sem avisar ninguém. e vocês sabem como é, apelou perdeu, mano.

a paralisação começou por volta das 7h30 da manhã e os usuários do sistema não sabiam de nada. ou seja, um monte de gente pegou o baláio para chegar aos terminais de integração, como o ticen, e chegando a eles não tinha ônibus pra lugar algum. claro que o caos foi instaurado: mais ou menos 250 mil pessoas utilizam o transporte coletivo [numa cidade com 450 mil habitantes] e ficou a galera toda a pé, longe de casa e longe do destino final. ou seja, ficou todo mundo muito puto.

as pessoas tiveram, então, que escolher uma das opções a seguir: 1) tirar seus carros da garagem; 2) usar táxis; 3) pegar carona com quem tem carro; 4) utilizar serviço de van [que é ilegal]; 5) voltar a pé pra casa.

para quem não sabe, em florianópolis as distâncias são bastante consideráveis por conta dos aspectos geográficos da ilha, o que impossibilita que a maioria dos abandonados pelos ônibus siga seus caminhos no dedão. além disso a cidade não tem infra-estrutura para tantos carros circulando ao mesmo tempo, o que causou congestionamentos acima do normal e alguns acidentes.

e tudo isso culminou na seguinte situação: os usuários do transporte coletivo, já insatisfeitos com as altas tarifas cobradas e outros problemas que estou com preguiça de citar, acabaram ficando, em sua maioria, contra os grevistas. estes perderam, ao começar a greve sem nenhum tipo de aviso, a oportunidade valiosa de ter ao seu lado a opinião pública, que se sentiu desrespeitada.

o povo não sabe nem fazer greve nesse país.

p.s.: os funcionários dos correios também estão em greve, mas não farei um post sobre isso.

3 comentários:

Samantha disse...

O transporte coletivo deve estar uma droga em todas cidades do país. É um absurdo. Concordo com você: não sabem fazer greve, não conseguem mobilizar os usuários e explicar a razão para todos. Assim, todos se voltam contra os grevistas.
Em Sampa é a mesma coisa!
Aliás, quando fui pra Floripa, me perdi pegando ônibus...rs. Sério, me perdi com os terminais de vocês e só fui compreender a lógica no dia de ir embora..rs. Quero voltar logo para visitar esta maravilhosa ilha!

mariasamara disse...

aqui os motoristas já ficarem de greve várias vezes, e a população sempre ficou contra, mas isso não impediu que a greve durasse dias (sim, dias), nem que houvesse outras.

nem sabia que os correios estavam em greve. hum, por isso as contas pararam de chegar aqui em casa...

Raul disse...

...mas a intenção da greve é fazer todo mundo (os patrões) ficar desorientado mesmo. Se ninguém levar o prejuízo ao menos por um dia e se não houver um reboliço considerável de que vale a greve? Eu acho que quanto mais abragente for o caos, maior a chance de se alcançar os objetivos fundamentais da greve.

E que as greves se generalizem por todo esse país!

(Não sou nenhum líder grevista não tá? mas é que eu tô com as frentes populares até os dentes)