domingo, maio 11, 2008

assim. as pessoas não são naturalmente ruins. quero dizer, acredito que a gente começa até bem, com tudo positivo. mesmo porque quando a gente começa a gente nunca tinha feito, então nem tem de onde vir medo, porque o que existe é uma pureza que é quase ignorância. algo limpo e inominável.
esses dias estive pensando em como eu era quando criança. eu não era como sou hoje, isso é claro. mas o caso é que não era nem um pouco parecida com o que sou hoje. não falava palavrão, achava feio menina falando palavrão. e é feio mesmo, falo palavrão demais. eu falo demais, no geral. fiquei pensando como a questão da minha imagem afetou o que eu me tornei. quando era criança meninos bacanas e bonitos da minha sala disputavam quem iria dançar comigo nas festinhas da escola. lembro que a professora alternava. me lembro também que eu não dava a mínima pra isso. não ligava quando alguém me dizia que eu era bonita. e eu nem era mesmo, era normal.
a partir dos meus 11 anos tudo mudou muito. eu engordei ferozmente, perdi um pouco da identidade por conta de uma mudança brusca de cidade e contextos. a partir daí a coisa deu uma desgringolada feia. passei a me preocupar demais com o que os outros achavam e falavam de mim. comecei a criar tiradinhas sarcásticas, a resolver tudo com uma frase esvaziada de mim e espirituosa o suficiente pra não despertar dúvidas. e assim estamos até hoje.
esses dias tenho tentado buscar o que me dava aquela tranquilidade de antes. o que me deixava ser eu mesma sem vestir um personagem. porque eu não era essa verborragia. quero dizer, eu sempre falei muito, sempre. mas não era pra me auto-afirmar, como acontece hoje. era só divertido falar outras coisas quando a aula estava chata. quero isso de novo. é claro que não posso voltar 10 anos no tempo e consertar o que já foi feito de lá até aqui, mas também não preciso me sentir uma condenada.
tenho 22 anos, tenho pelo menos uns 50 anos pra buscar o que eu sou [levando em conta a idade média de uma mulher brasileira]. e mudar é bom. porque eu não gosto tanto assim de mim. eu canso a mim mesma. e, no momento, quero ser mais pra dentro e mais pra mim. começarei daí.

p.s.: hoje é dia das mães. mas não tô perto da minha, então não adianta, não faz sentido. e minha mãe não lê o blog.

2 comentários:

Ferdi disse...

Eu nunca concordei com aquele Hobbes. O homem não é mau por natureza...rs.Eu mudei demais tb.

Bom, chego em BH dia 22...por um acaso vai passar por lá por esses dias??

Beijosss

samara disse...

eu às vezes gosto de mim, às vezes não. e eu acho que eu nem mudei muito da infância pra cá, as pessoas é que mudaram suas relações comigo. natural, talvez.