domingo, outubro 08, 2006

Ela é um recorte em meio a toda a oscilação, uma junção de cores e toques e olhares e vontades - vontades de toque, inclusive -, vontade de mais perto e de pra sempre, vontade de eternidade frente a tudo que muda o tempo todo (só ela não muda - ela é a sua constância). Ele se aliena nos olhos dela; é ela a culpada de sua saída desse mundo no qual as vontades de para sempre são sempre deixadas de lado e só nos resta correr. Mas o seu desejo mais profundo é capturar o tempo e ficar a olhá-la por horas a fio, ouvir sua voz e suas opiniões sempre tão fundamentadas, aquela voz de pessoa estressada que tem sintomas de labirintite, de pessoa que não relaxa nunca mas é ao mesmo tempo doce, a mais doce, doce a ponto de não poder tomar chuva.

Eu te arranjo uma sombrinha, meu amor; você nunca vai ficar na chuva se depender de mim.

(e ele não tem o mínimo pudor em associar suas
músicas preferidas a cada movimento dela).

4 comentários:

andré disse...

o que ele não sabe se ela sabe, é que mesmo se a sombrinha for pequena e a chuva forte, ele ficaria molhado, dos pés à cabeça, pra não deixar o doce dela se perder na água...


um beijo

Ferdi disse...

Tô achando que ele é um cara especial. "Eu te arranjo uma sombrinha, meu amor; você nunca vai ficar na chuva se depender de mim", lindo isso.
Beijos e boa semana, Paulete!!

Sam disse...

Eu tb acho que o ele pode ser ela, e ela pode ser ele, vai depender do caso que estamos falando. Eu só sei mesmo é que o texto tá lindo, Paulinha, lindo de chorar... e hj eu estou tão sensível... Hj eu sou ela.

Sam disse...

Me corrigindo: hj eu sou ele.