quarta-feira, outubro 15, 2008

paradoxo
(cs) [Do gr. parádoxon, pelo lat. paradoxon.]
Substantivo masculino

1.
Conceito que é ou parece contrário ao comum; contra-senso, absurdo, disparate:
“Era um conversador admirável, adorável nos seus erros, .... nas suas opiniões revoltantes e belíssimas, nos seus paradoxos, nas suas blagues.” (Mário de Sá-Carneiro, A Confissão de Lúcio, p. 21.)

2.
Contradição, pelo menos na aparência:
A obsessão da velocidade e o congestionamento do trânsito são um dos paradoxos da vida moderna.

3.
Figura (15) em que uma afirmação aparentemente contraditória é, no entanto, verdadeira.
4.
Filos. Afirmação que vai de encontro a sistemas ou pressupostos que se impuseram, como incontestáveis ao pensamento. [Cf., nesta acepç., aporia e antinomia.]
5.
Lóg. Dupla implicação entre uma proposição e sua negação, que caracteriza uma contradição insolúvel. [V. paradoxos lógicos e paradoxos semânticos.]
6.
Lóg. Dificuldade na conclusão de um raciocínio, seja pela vaguidade dos termos das suas proposições, seja pela insuficiência dos instrumentos lógicos formais. [V. paradoxo do monte.]


fonte: dicionário aurélio - cd rom

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acostumou-se mal, muito mal.

os pacotes de bala de goma só traziam balas de goma vermelhas, a cerveja era sempre gelada e o tempo sempre propício a cachecóis [algumas vezes tinha até lareira]. os domingos eram dias úteis e esperados, as manhãs tinham frescor de menta e o sofá vermelho nem parecia tão ruim. acostumou-se mal: passou a acreditar que paixão era de cara, boca aberta com olhar de espanto ao som de artistas nordestinos. tudo tão tão.

a vida era apenas uma certeza, o futuro tinha traços azuis e não havia medo. e agora ela só consegue se apaixonar por alguém se tiver certeza de que o alguém está apaixonado por ela de forma devastadora, o que a leva a não se apaixonar por ninguém nunca.

verbalizações, muitas, várias. acostumou-se mal, enfim. fala-se muito, é certo, mas é tudo tão claro e sem duplo sentido. naqueles dias ela acreditava que ficava linda de vestido cor de rosa, fita no cabelo e sapatinhos de boneca. acreditava que podia correr, mesmo não sendo preciso.

acostumou-se mal. cabelos cacheados, bagunçados, lisos, não havia problema. beber e falar besteira, entupir a cara de pizza e batata frita, tudo podia. planos a longo prazo, dizer verdades, gritar sentimento. segurança ['are you ready to jump?'; 'vem que eu seguro a sua mão'].

sair era bom, voltar para casa era bom, dormir era bom, acordar era bom, estudar era bom, ressaca era bom, ruim era bom. surrealidade, trama de novela na vida real, com direito a começo, meio, peripécia, fim.

acostumou-se tão mal com tanto bem que perdera o tom. e agora pontadas de realidade a acertam e nenhuma de suas roupas e jeitos e palavras parecem realmente adoráveis.

e isso tudo é um amontoado de paradoxos e, como se sabe, algo só é realmente paradoxal quando não tem solução. e ela toma chuva quase lamentando a perda da sombrinha [ainda que nunca].

2 comentários:

Caroline disse...

Amei!!

ferdi: disse...

Mas é que é tão fácil se acostumar com o que é bom. E faz bem, eu acho. Pior é se acostumar com o que tá ruim e deixar de acreditar em qualquer coisa que seja...

p.s.: Sinto muito pelo seu amigo. Coisa mais chata. Nessas horas é que a distância fica feia, né?

Beijos!!!!