quinta-feira, outubro 26, 2006

eu odeio quando você veste essa camisa preta, ela disse, essa camisa que só faz confundir os sentidos e não me deixa ouvir mais nenhuma cor. afinal, quanto tempo duram as borboletas no estômago? vou tomar o vinho, vou tomar a água, vou tomar o cuidado, e talvez tomar conta de mim. o dispositivo acusa que a sua música tocou duas vezes, não ouvi. pouco importa: sua voz e o seu olhar me atravessaram, e eu duvidei de novo.

você é um irresponsável, ela disse, você joga palavras com peso de açúcar branco e blue e acha que vou conseguir dar conta delas. eu mal dou conta da sua camisa preta, ainda mais com você dentro dela, gesticulando, como vai acontecer sempre (sempre). quando você apareceu foi só comoção, e eu não consegui articular sequer uma frase amarela.

eu odeio quando você chega, ela disse, como se a sua presença não significasse a queda de todos os preceitos que sustentam essa capacidade tão minha de caminhar sem olhar para trás.

3 comentários:

ferdi disse...

Lindo! E, como eu sempre faço associações livres, me lembrei do adolescente "10 Things I Hate About You" (q, na verdade, eu amo). Especialmente o final do poema:

But mostly I hate the way I don’t hate you,
Not even close…
Not even a little bit…
Not even at all.

Bjos!!!

Sam disse...

Como dizem: o odio e o amor caminham juntos.

maricota de jesus disse...

caralho!